segunda-feira, 6 de maio de 2013

"LULU SANTOS" ,HOMENAGEM DO NOSSO BLOG AOS 60 ANOS "," INÍCIO DA CARREIRA ATÉ OS 35 ANOS."


Homenagem-à-Lulu-Santos                 
LULU SANTOS - INÍCIO DA CARREIRA


 
 

Lulu Santos (Luís Maurício Pragana dos Santos)
Luís Maurício Pragana dos Santos nasceu no dia 04 de maio de 1953, em Copacabana, no Rio. A profissão do pai da aeronáutica- obrigava a família a constantes mudanças. Aos 3 anos de idade, Lulu (como sempre foi chamado), viaja para São Paulo: aos 5, embarca para IIIinois, Estados Unidos.
A curta estada na América - cerca de um ano- deixa pelo menos duas marcas: o aprendizado de uma segunda língua e o início do seu envolvimento com a música, através dos discos comprados pelo pai. " Foi lá que ouvi, pela primeira vez, um disco estéreo."
Na escola, porém, Lulu demonstra outra inclinação: a pintura. Com 12 anos, dedica-se à reprodução - a guache- das obras dos grandes pintores. Ao mesmo tempo, sente um interesse cada vez maior por aquele som que conhecera nos Estados Unidos: o blues e o rhythm!n!blues. "Amo blues e rhythm!n!blues desde moleque. Aos 10, 11 anos, eu cantava Wilson Pickett, Otis Redding, Arthur Conway..."
Entre os 12 e 13 anos, Lulu troca os pincéis pela guitarra e forma seu primeiro conjunto, que passa a animar as domingueiras dos clubes cariocas. O repertório, invariavelmente, inclui canções dos maiores idolos do adolescente Lulu: Jonh Paul, George e Ringo. " Os Beatles eram meu país, minha religião, minha família.
 
Lulu no solo



Lulu Santos no vocal
 
Lulu Santos - Nova fase
Final da década de 60: época do flower power, da liberação sexual, da contracultura e dos hippies. Lulu Santos não deixa por menos. Aos 17 anos, abandona o último ano colegial, sai de casa com uma mochila nas costas e vai para a estrada - dando um fim aos planos do pai, que queria  Lulu na carreira militar. É um período conturbado marcado por relações "promiscuas" com as pessoas do seu grupo e uma total alienação. Frustrado, Lulu desiste de ser hippie e decide prosseguir sua verdadeira vocção: a música.
Aos 19 anos, forma seu primeiro grupo "sério", o Veludo Elétrico.


Grupo Vimana
Em menos de um ano, Lulu deixaria o Veludo para fundar, ao lado do baixista Fernando Gama, o Vimana. A estréia da nova banda -que tem ainda Candinho na bateria e Luís Paulo nos teclados - acontece em 74, abrindo para Os Mutantes e O Terço. Alguns meses depois, o grupo ganha dois novos integrantes: Candinho é substituido por Lobão e Fernando Gama deixa a vaga aberta para a entrada do flautista e cantor Ritchie. No então sombrio panorama do rock nacional - confinado ao circuito underground e ignorado pelo grande público -, o Vitmana é um dos destaques, com seu rock progressivo inspirado no Yes e suas letras em inglês. Chegam a gravar um LP independente, que acaba não sendo lançado. Em vez disso, sai um compacto, "Zebra", pelo selo independente Sigla, em 76. Após o 
 lançamento, o grupo se dissolve.
O Vimana (76) Luiz Paulo,Lobão,  Fernando Gama, Lulu e Ritche


Lobão vai para a Blitz, Ritchie ensaia sua carreira solo e Lulu decide começar tudo da estaca zero, convencido de que ainda não encontrou seu som. "O Vitimana era um hibrido de nada com coisa nenhuma. A essência do rock é tribal, física, não tem nada de cerebral.
 
Lulu com a esposa na época
Nessa fase conta com ajuda valiosa da jornalista Scarlet Moon, que conhece numa festa na casa de Caetano Veloso – e com quem se casa pouco tempo depois. Decidido a retomar com força total a carreira, ataca em todas as frentes. Compõe, ao lado da Cor do Som, a trilha sonora do filme Os Sete Gatinhos, de Neville de Almeida: forma uma nova banda, Uns e Outros, com Arnaldo Baptista (ex-Mutantes) e Pedro Fortuna (futuro baixista da Blitz): e lança, ainda, uma compacto pela PolyGram, com seu nome real, Luís Maurício – “ A gravadora achava que Lulu não era nome de cantor”. A banda não dura mais de seis meses: o compacto com a música “ Gosto de Batom” ( de Pedro Fortuna e Bernardo Vilhena) não chega a emplacar. Sem grupo, sem gravadora, Lulu acab aceitando a oferta da Som Livre e vai trabalhar como produtor -  ou, como diria mais tarde, “selecionador de trilha de novela”. Arrisca ainda alguns textos para a Revista Somtrês, como crítico de música.
Lulu de todos os ritimos
Em 81, surge a primeira grande oportunidade, através de um convite do amigo Nelson Motta para compor a música de abertura do programa Mocidade Independente, na Tv Bandeirantes. “Tesouro da Juventude” é uma das primeiras composições de Lulu com Nelson – que se tornaria um de seus parceiros mais constante. O programa é tirado do ar, mas a música acaba fazendo sucesso nas rádios. O compacto sai pela WEA – no lado B, esta um ska chamado ”Fricção Científica”. Ainda nesse ano, a dupla classifica-se no MPB 81, o Festival da Globo. “Areias Escaldantes” não passa das eliminatórias, o que não impede que seja lançada em compacto e bem executada pelas FMs. (Mais tarde, em 85, o diretor Francisco de Paula pediria a música “emprestada” para a trilha do filme de mesmo nome). Um terceiro compacto, dessa vez duplo, é lançado em 81 – a gravação inclui as três faixas anteriores, mais “De Leve”, uma versão deRita Lee e Giberto Gil para G”Get Back”, dos Beatles.
 
Lulu direto pro mundo


O primeiro LP, Tempos Modernos, sai, finalmente, em 82. “De Repente Califórnia”, que já ficara popular na voz de Ricardo Graça Mello – ator principal do filma Menino do Rio, de Antonio Calmon, do qual a canção é tema – ganha as rádios na voz de Lulu. “Tempos Modernos” e “Não Vá Para Nova Iorque” seguem o mesmo caminho. As baladas pop, aliadas às letras românticas de Nelson Motta, Antonio Cícero e Fausto Nilo, entre outros parceiros, têm aceitação imediata por parte do público mas as 50 mil cópias de Tempos Modernos são apenas um prenúncio do que viria a seguir.
Lulu Santos novo visual
“Nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia...” Com a balada “Como uma Onda”,faixa de seu segundo LP, Lulu dá um passo decisivo em direção ao estrelato, conquistando o Brasil – a música é uma das mais tocadas em 83, ao lado de “Menina Veneno”, do ex-companheiro de banda da Ritchie. No lançamento de O Ritimo do Momento, o cantor lota o Maracanãnzinho, no Rio – um salto e tanto para quem, há menos de um ano, fazia shows com play back na periferia da cidade. A imprensa, porém, não poupa fisgadas no novo solo “niu ueive”, “zen-surfismo”, “cantor de boleros” são apenas alguns dos termos usados pela crítica especializada para classificar o seu trabalho.
Em abril de 84, Lulu Santos está nos estúdios Eletric Lady, em Nova York, mixando o novo LP, Tudo Azul. Gravado em apenas 20 dias, o disco traz algumas surpresas, como a regravação de “Calhambeque”, um dos maiores sucessos da Jovem Guarda, e participação de Erasmo Carlos e Rita Lee na faixa “Ronca Ronca”, uma homenagem aos roqueiros com mais de 30 anos.
No auge da popularidade, com quatro hits estourados nas rádios, Lulu é convidado a participar do Rock In Rio. O desafio é duplo: conseguir marcar presença tocando ao lado de astros como Nina Hagen e Rod Stewart e, ao mesmo tempo, superar os problemas de uma organização voltada exclusivamente para os músicos de fora. “ Foi a pior experiência da minha vida, uma das coisas mais opressivas por que passei”, diria o cantor após ser forçado a deixar o palco móvel da cidade do rock – colocado em movimento quando ele se preparava para mais um bis. O saldo, porém, é positivo: o tape da Globo apresentado dias depois, registra a verdadeira dimensão do sucesso de Lulu, com milhares de pessoas entoando o quase hino “Tempos Modernos”.
Lulu Santos o último romântico
O ano de 85 é também o de Normal, o mais elogiado – e vendido – LP do cantor. Dessa vez, ele faz tudo praticamente sozinho: além de cantar e tocar guitarra, encarrega-se do baixo, dos teclados e dos efeitos eletrônicos, assumindo ainda a produção, antes a cargo de Liminha. (Lulu já produzira, anteriormente, os LPs Televisão, dos Titãs, e o Melhor dos Iguais, do grupo paulista Premeditando o Breque.) O pop radiofônico que dominava os trabalhos anteriores dá lugar a um som mais pesado e básico. É a face “roqueira” de Lulu, calçada nos anos 60 – as referências vão dos sons orientais de “Atualmente” à capa de inspiração psicodélica. Normal é ainda o último disco de estúdio do cantor pela WEA – que lançaria uma coletânea de hits, em 87.
Lulu, o primeiro lançamento de RCA, retoma a linha anterior a Normal, abrindo espaço, porém, para inclusão de outros gêneros – como o reggae de “Demon” (cantada em inglês) ou o rock básico de “Ro-que-se-dane” (Junte as Sílabas e Forme Novas Palavrinhas), vetada pela censura. Músicas como "Minha Vida", "Condição" e, principalmente "Casa" colocam Lulu de volta nas paradas. O sucesso é tanto que a gravadora anuncia, no início de 87, a conquista do disco de platina (250 mil cópias vendidas). Mas para espanto geral, o cantor recusa a  premiação em pleno Maracanãnzinho  - segundo ele, o disco de platina era uma farsa, já que o LP havia vendido até aquela data cerca de 170 mil cópias.
Hollywood Rock: três anos depois, Lulu tem a chance de se recuperar do "trauma" do Rock in Rio. Superando as espectativas, ele acaba sendo responsável pelos shows mais  mais quentes do festival. Tanto no Rio como em São Paulo, o cantor limita-se a empunhar sua guitarra e correr pelo palco - é o público que canta, de ponta a ponta, todas as músicas.
Lulu Santos no auge do sucesso
Blues, bossa nova, funk, afoxé: em seu sexto LP, Lulu vai fundo na mistura de rítimos, jé esboçada nos trabalhos anteriores. "Toda Forma de também marca o fim das parcerias - as letras são todas de Lulu Santos, com exceção de "Ton Ton", uma cançao angolana recolhida porArthurMaia (baixista da sua banda). Um mê após o lançamento, com duas faixas -
 
Lulu Santos : LP  - Toda Forma de Amor - Sucesso

 "Toda Forma de Amor" e "A Cura" - tocando sem parar nas FMs, Lulu tem, pela primeira vez, a oportunidade de se lançar no mercado internacional, a partir de uma apresentação na noite brasileira do Festival de Moe ntreux. Na volta, inicia uma gigantesca turnê pelo Brasil, incluindo várias capitais no Norte, Nordeste e Sul, fechando com uma série de shows no interior de São Paulo. Aos 35 anos, sete LPs lançados, um carisma indiscutível, ele conta hoje com uma das platéias mais fiéis do showbiz nacional, que lota invariavelmente todos os seus shows e acaba de lhe valer mais um disco de ouro. O segredo: Talvez ele seja o último romântico...



Lulu homenageia Luiz Gonzaga

















 Matéria extraída da  REVISTA BIZZ ESPECIAL, pela Editora Azul  Agosto de1988, e editado por Marisa Adán Gil.
Material da Coleção de Revistas de Silvio Póvoas.
(blogdodesabafobrasileiro)



DISCOGRAFIA
TEMPOS MODERNOS (82)
O RITIMO DO MOMENTO (83)
TUDO AZUL (84)
NORMAL (85)
LULU (86)
 O ÚLTIMO ROMÂNTICO (87)
TODA FORMA DE AMOR(88)